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Ao longo da minha trajetória no estilo editorial e na moda, aprendi que o contraste é a ferramenta mais poderosa do meu repertório. Trabalho com texturas, linhas e volumes como se fossem notas de uma partitura: o silêncio entre as notas muitas vezes é o que dá sentido à melodia. No editorial, o contraste pode ser sutil — um tecido fosco ao lado de um brilho discreto — ou impactante, como a justaposição da rigidez arquitetônica com a fluidez do corpo humano.
Observar a cidade se tornou um hábito de composição. Vejo fachadas, molduras de janelas e fisuras na pedra como instrumentos de guarda-roupa. As curvas das varandas, as sombras projetadas em corrimões e os recortes provocados pela luz ao entardecer me inspiram a propor looks que conversem com o espaço. É nessa relação entre vestuário e arquitetura que a elegância do contraste nasce: cada elemento ganha voz própria sem disputar atenção.
No meu processo criativo, sempre começo pelo desenho. Rascunhos rápidos me ajudam a testar proporções, exageros e enquadramentos até que a composição encontre equilíbrio. Prefiro linhas claras e enquadramentos que valorizem a arquitetura do corpo; quando a cena pede intensidade, uso cores e contrastes que acentuam a geometria e criam pontos de interesse. Desenhar volumes e estudar a luz no papel amplia meu repertório para a direção de fotografia.
Na direção de cena, trabalho ângulos que reforçam o contraste: uma sombra longa que alonga, um reflexo que fragmenta, ou um volume que se sobrepõe a outro, criando camadas visuais. Acessórios e styling são escolhidos para responder ao cenário — um colar robusto contrapõe-se à rigidez de uma moldura, enquanto um tecido fluido dialoga com a curva de uma escada.
Compartilho esses exercícios em workshops e materiais online porque acredito que qualquer pessoa interessada em estilo editorial pode aprender a enxergar o mundo por esse prisma. A prática do desenho realista complementa essa visão: ao estudar luz, sombra e volumes, conseguimos dominar a sutileza dos contrastes e aplicá-los com intenção nas produções.
Se você busca traduzir arquitetura em moda e construir editoriais com personalidade, investir no olhar é fundamental. Pequenos hábitos de observação — estudar fachadas, registrar sombras e desenhar rapidamente formas — têm efeito direto na qualidade narrativa do seu trabalho.
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